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Música

Barulhinho Bom

Barulhinho Bom

ANO
1996

FICHA TÉCNICA

Produzido por Arto Lindsay e Marisa Monte

Direção Executiva // Leonardo Netto  

Mixado por Patrick Dillet-Kampa  

Audio/Video (NY) exceto "Tempos Modernos" por Fernando Aponte Auxiliado por Dave Robbins, Jim Macnamara, Alex Du Jonge 

A&R EMI // João Araújo

Masterizado por Ue Nastasi-Sterling Sound (NY)

Produção Executiva // Sueli Aguiar (Rio)

Direção de Arte // Gringo Cardia baseado no trabalho de Carlos Zéfiro

Assistente de Design // Leonardo Eyer 

Assistente de Arte // Bruno Porto

Manuscrito // Gringo Cardia 

Símbolos escritos por Fernando Caneca, consultor sobre o trabalho de Carlos Zéfiro Ota

Coordenação Gráfica // Patrícia Fernandes


SOBRE O ÁLBUM

"Barulhinho bom, uma viagem musical" começou a nascer como um disco ao vivo, que registraria momento do show "Verde anil amarelo cor de rosa e carvão", e um home vídeo, misturando cenas de palco com encontros de Marisa Monte e convidados. Além das 11 canções gravadas entre Recife (Teatro Guararapes, dias 13 e 14 de outubro de 1995) e Rio (Teatro Carlos Gomes, dia 28 de março de 1996), o projeto produzido por Arto Lindsay e Marisa cresceu, ganhando um cd bônus, com sete faixas gravadas no estúdio.


Dez das 18 canções de "Barulhinho Bom.." são gravações inéditas na voz de Marisa. Três delas foram gravadas no show e estão no CD AO VIVO:

"Panis et circenses" (uma das primeiras e raras parcerias de Caetano Veloso e Gilberto Gil, lançada pelo grupo Mutantes, no álbum coletivo e manifesto "Tropicália", em 1968), "Give me love" (George Harrison) e "A menina dança" (Moraes Moreira e Galvão, gravadas pelos Novos Baianos no álbum "Acabou chorare", de 1973).


As outras oito faixas do CD Ao Vivo trazem canções gravadas por Marisa em seus três álbuns anteriores. Do repertório de seu disco de estreia, "MM" (1989), veio o clássico nordestino "Xote das meninas" (Zé Dantas e Luiz Gonzaga). De 'Mais" (1991) estão "De noite na cama" (Caetano Veloso), "Beija eu" (Marisa, Arnaldo Antunes e Arto Lindsay) e " Ainda lembro" (Marisa, e Nando reis). Enquanto de "Verde anil amarelo cor-de-rosa e carvão" (1994) saíram "Dança da solidão" (Paulinho da Viola), "Ao meu redor" (Nando reis), "Bem leve" (Marisa e A. Antunes) e "Segue o seco" (C. Brown)


O CD de estúdio traz as outras sete inéditas na voz de Marisa. Elas vieram das sessões nos estúdios Impressão Digital (Rio, junho de 1996) e Kampo Audio/Vídeo (Nova York, julho de 1996). Carlinhos Brown assina três novas composições, "Magamalabares", "Maraçá" e "Arrepio". Marisa gravou ainda "Cérebro Eletrônico" (lançada por Gilberto Gil em seu álbum de 1969): "Chuva no brejo" (que Moraes Moreira gravou no seu disco solo de estreia, em 1975): "Tempos modernos" (faixa-título e de abertura do primeiro álbum de Lulu Santos, em 1982): e "Blanco" (poema do mexicano Octavio Paz, traduzido por Haroldo de Campos e musicado por Marisa).


O home vídeo, dirigido por Claudio Torres e Lula Buarque de Hollanda, vai além do registro no palco da Turnê "Cor de rosa e carvão". Ao lado de trechos do show são mostrados flashes da vida na estrada de Marisa e seus músicos e promovidos encontros com alguns artistas com quem ela vem trabalhando ou que influenciaram seu trabalho. Dos Novos baianos (Baby do Brasil, Dadi, Moraes Moreira, Jorginho Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Pepeu Gomes), que se reuniram para este projeto, a dois dos parceiros de Marisa, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes, passando pelas pastoras da Velha Guarda da Portela (Doca, Eunice e Surica), Paulinho da Viola e o vionilista Raphael Rabello.


Para a gravação destas reuniões, informais e musicais, foi escolhido o antigo Hotel das Paineiras (na subida do corcovado, no Rio). Hoje abandonado, este local paradisíaco na Floresta da tijuca costumava servir de concentração para a seleção brasileira de futebol nas décadas de 60 e 70. Abertos aos imprevistos e improvisos, sem ensaios, eles passavam a música uma vez e depois gravavam. A inédita "Batom no dente", nasceu na hora em que foi gravada: Brown e Antunes "rap-repentearam" a partir de uma conversa de Marisa com Davi Moraes.


Com 25 músicas, alternando registros dos shows, vinhetas e capella, jam sessions nas Paineiras, o Home Vídeo tem vida independente mas também é umas das peças que compõem o mosaico audiovisual de "Barulhinho Bom, uma viagem musical".


Para Criar a capa do Cd, Gringo Cardia se baseou no trabalho de Carlos Zéfiro. Entre os anos 50,60 e 70, Zéfiro escreveu e desenhou cerca de 860 revistas pornográficas que circulavam na clandestinidade. A partir de 1984, com o livro "O quadrinho erótico de Carlos zéfiro", escrito pelo também quadrinista Otacílio d'Assunção a arte de Zéfiro começou a ser reconhecida. O desenhista que, por motivos óbvios, passou anônimo quase toda a vida, foi homenageado em 1991 na I Bienal Internacional de Quadrinhos do Rio de Janeiro, quando revelou sua identidade - em julho do ano seguinte, o funcionário público Alcides "Zéfiro" morreu aos 70 anos. Agora, com "Barulhinho bom, uma viagem musical", a arte de Carlos Zéfiro ganha outra homenagem.


Marisa Conta:


Novos Baianos - Me identifico totalmente com o jeito de viver a música dos Novos Baianos, que não faziam distinção entre vida e música. Na turnê do "Mais" eu já tinha incluído "Mistério do planeta" e no show de "Cor de rosa e carvão" vinha cantando "A menina dança".


Estúdio - Eu pensava gravar três ou quatros músicas, mas adoro estúdio e acabamos fazendo estas sete. Carlinhos Brown, de quem eu pretendia gravar "Magamalabares", chegou em Nova York com as outras duas músicas, "Maraçá" e "Arrepio". Ele não tinha levado instrumento algum além do violão, e fez as bases rítmicas com objetos que encontrou no estúdio, como caixas de papelão, de madeira e o próprio corpo.


Blanco - Há uns dez anos, fui convidada por uma amigo, o artista plástico Mário Fraga, para ler em off num vídeo este poema de Octávio Paz, traduzido por Haroldo de Campos. Como para mim é mais natural cantar do que falar preferi compor a música na hora.


A Capa - Os shows têm sempre uma intimidade maior do artista com o público, que acaba sendo um pouco voyeur. Como seria um disco ao vivo, resolvemos usar esta ideia, escolhendo os quadrinhos do Zéfiro para ilustrar a capa. Mesmo depois do projeto ter incluído também o CD de estúdio achamos que o conceito continuava valendo. Zéfiro foi um fenômeno pop, no sentido popular mesmo. Ele fez cerca de 860 histórias diferentes, com tiragem que chegavam a 5 mil exemplares cada. Um trabalho ao mesmo tempo underground e popular que no auge do Regime Militar, da repressão, conseguiu circular pelo Brasil inteiro, alimentando o imaginário coletivo.